ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – ESCRITOR
Estava aqui pensando cá com os meus 144 botões da bombacha: deveria haver duas eleições simultâneas para presidente do Brasil. Explico o porquê.
Vamos combinar, o cargo é estafante. A criatura trabalha 24 horas por dia. Não tem um mínimo de sossego, um minutinho de descanso.
Nas minhas elucubrações haveria duas candidaturas, uma mesma chapa indicaria dois candidatos a presidente com o mesmo número e o mesmo vice.
Então, teríamos um candidato a presidente do Brasil, o cara que despacharia no palácio, assinaria a papelada, reuniria o ministério, reuniria com os governadores de pires na mão, receberia prefeitos de pires na mão, receberia deputados com emendas na mão etc… Enfim, todas as demandas de um presidente no devido exercício do mandato.
O outro candidato – que comporia a chapa majoritária – seria candidato a presidente do Brasil para Viagens Internacionais. Repetindo: candidato a presidente do Brasil para Viagens Internacionais. Veja a importância deste cargo. Importante e chique ao mesmo tempo.
Neste sentido e nestes moldes, eu seria candidato a presidente do Brasil para Viagens Internacionais. Seria o meu sonho de consumo. Cabe salientar que o cargo não seria remunerado. Viveria somente com as diárias das viagens. E um modestinho cartão corporativo.
Acho muito chique. Num dia o presidente do Brasil para Viagens Internacionais está tomando malbec com Alberto Fernandez, no dia seguinte tomando mate amargo com Pepe Mujica. E na outra semana um uisquinho com Biden. Bordeaux com Macron. Chazinho com Charles. Mojito com Diaz-Canel. Mastigando folha de coca com Evo. E por aí vai… vamos combinar, né? Uma vida também estressante.
Discurso na ONU? Só se o Gilberto Gil for junto. O Fórum Econômico de Davos eu delegaria ao ministro da Economia para me representar. Eu não entendo nada de economia. [sic]
Uma das minhas primeiras ações como presidente do Brasil para Viagens Internacionais seria um encontro com a ex-presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović, uma pessoa muito influente na região. Evidentemente, discutiríamos as políticas para o Leste Europeu. Por favor, sem flashes.
No entanto, se isso não fosse possível e eu não fosse eleito, me bastaria ser presidente do banco dos BRICS por seis meses. Seis meses apenas. Nenhum dia a mais.
Sem mais! Fico no aguardo do projeto de emenda constitucional.

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