Justiça Militar anunciou data para julgar brigadianos acusados de assassinar o jovem Gabriel Marques Carvalheiro, de 18 anos, em São Gabriel em agosto de 2022
Três policiais militares acusados pela morte do jovem Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, em agosto do ano passado em São Gabriel, na Fronteira Oeste, irão a julgamento em 20 de julho deste ano. A data foi anunciada pela Justiça Militar. Nessa quinta-feira, em Santa Maria, houve a última audiência.
Foram ouvidos civis, militares e outras testemunhas citadas em depoimentos. Antes, em fevereiro, foram realizadas outras oitivas na Justiça Militar, em Santa Maria. Com o encerramento da fase de audiências, o processo que corre na Justiça Militar está instruído para ser julgado.

Os três réus negam assassinato
O sargento Arleu Junior Jacbosen e os soldados Raul Veras Pedro e Cleber de Lima, todos da Brigada Militar, respondem a dois processos. Na Justiça Militar, eles respondem por ocultação de cadáver e por falsidade ideológica. Já na Justiça comum (Estadual), o trio está sendo processado por homicídio triplamente qualificado e poderão ir a júri popular.
A advogada Rejane Lopes, contratada pela família de Gabriel como assistente de acusação, disse ao Paralelo 29 que os três réus deverão ser ouvidos em 19 de julho, um dia antes da data prevista para o julgamento, que ocorrerá na Justiça Militar, em Porto Alegre.
Na fase de instrução do processo da Justiça Militar, houve audiências em Santa Maria, São Gabriel e em Porto Alegre. Os três brigadianos, que estão presos no Presídio Militar de Porto Alegre, negam envolvimento na morte de Gabriel.
Caso teve grande repercussão

O Caso Gabriel teve grande repercussão por envolver agentes da Brigada Militar. O jovem, que estava hospedado na casa de um tio em São Gabriel, para prestar serviço militar, desapareceu em 12 de agosto depois de uma abordagem policial na Avenida Sete de Setembro.
Uma vizinha do tio de Gabriel chamou a Brigada Militar porque, segundo ela, havia um rapaz forçando o portão que dá para o pátio da residência dela.
Abordagem, agressões e sumiço
Os policiais militares chegaram e abordaram Gabriel, que teria sido agredido e imobilizado. O jovem foi colocado na viatura após ser agredido com golpes de cassetete. Foi a última vez que Gabriel teria sido visto. As buscas por Gabriel começaram no dia seguinte.

No decorrer das investigações, o corpo do jovem foi encontrado, uma semana depois, na localidade de Lava Pés, a cerca de seis quilômetros do local onde ele foi colocado na viatura. Por meio de sistema de GPS, a Polícia Civil descreveu o trajeto da viatura até Lava Pés.
Corpo encontrado em açude
Após dias de busca, o corpo de Gabriel foi encontrado submerso em um açude em 19 de agosto. No mesmo dia, a Justiça decretou a prisão preventiva dos três brigadianos.
O Instituto Geral de Perícias (IGP) atestou em laudo que Gabriel morreu devido a uma hemorragia interna. De acordo com esse laudo, que foi divulgado em 29 de agosto, o corpo do jovem apresentava “sinais de ação por instrumento contudente”. Contudo, o documento diz que o sangue encontrado pelos peritos na viatura não era da vítima.

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