ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – ESCRITOR
A comemoração do meu segundo aniversário de formatura foi o mais emblemático e inesquecível. Um colega liga – o único da turma que ainda estava na cidade – e me convida para comemorarmos o nosso segundo ano de colação de grau em Engenharia Civil pela UFSM.
Era uma tarde relativamente fria de um julho há muitos anos – 1985. Resolvemos tomar uma cerveja ali no Trevicenter. Era um supermercado onde funcionava o Nacional e hoje está instalada uma papelaria e mais uns troços, em frente à antiga sede da Cesma.
Logo à esquerda, próxima a entrada, havia uma lanchonete, era o local aonde iríamos comemorar nosso segundo aninho como engenheiros. E sonhar com futuros cálculos estruturais.
A nossa intenção inicial era tomar duas cervejas – não lembro direito, mas acho que era Faixa Azul – e consumir duas torradas simples. E ainda comentamos com a moça que nos atendia que estávamos comemorando aniversário de formatura.
– Aqui? – foi a pergunta com cara de espanto.
– Pois, né, não tá fácil pra ninguém – e o assunto encerrou naquele momento.
Não sei por que cargas d’água, mas resolvemos contar a grana que dispúnhamos. Percebemos com ar de melancolia que a nossa fortuna comprava, apenas, duas cervejas e uma torrada… simples. Hoje eu diria: simples assim.
Então, resolvemos chamar a atendente para comunicar que partisse uma torrada ao meio, pois não tínhamos dinheiro suficiente.
A Maura, eu nunca esqueci o nome dela, foi muito simpática e gentil. Falou que a segunda torrada era por conta da casa, para a nossa comemoração ficar completa.
E não seria uma torrada simples, seria completa. Presunto, queijo, ovo e tomate. Falamos “Oba!” em uníssono. E nos desejou feliz aniversário e sucesso na profissão. E foi atender um rapaz, todo de branco, que ostentou um pedido de Xis completo e uma Brahma Extra.
Hoje eu lembrei essa pequena história, mas muito marcante na minha trajetória de vida, porque o início de uma carreira sempre é difícil.
Nesse dia 22 de julho de 2023 comemoro os 40 anos de graduação em Engenharia Civil na nossa querida UFSM. E fico imaginando como o tempo passa ligeiro.
A gente chega do “Em cena” tarde da noite e vai dormir e quando acorda passaram-se 40 anos. [Ah! “Em cena” para quem não sabe – ou não lembra –, era um bar que ficava ali na esquina da Floriano com a Presidente Vargas. Hoje tem uma loja de produtos naturais e produtos sem açúcar.]
A bem da verdade, eu continuo frequentando e “Em cena”.
O meu colega de comemoração é meu amigo nas redes sociais. Talvez ele se manifeste com um “joinha” para confirmar o causo. A nossa pindaíba era grande e não tínhamos grana para comprar um celular. [rsrs] Então, uma pena, mas não tenho uma selfie daquele dia para postar.

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