Um dos anúncios mais aguardados pelas empresas de eventos do Rio Grande do Sul deverá ocorrer nos próximos dias. Na terça-feira (29), o governador Eduardo Leite (PSDB) confirmou que o Estado está definindo protocolos para liberar atividades de maior porte, entre elas shows e feiras. Em Santa Maria, onde o setor reúne pelo menos 250 empresários, eles pretendem fazer uma carreta sábado para pressionar o governo.
A regras para a liberação deverão ser divulgas na próxima semana e obedecerão alguns critérios definidos pelo governo. Conforme Leite, a flexibilização ocorrerá em municípios localizados em regiões com bandeiras laranja e amarela. Mas, para isso, as regiões deverão estar há pelo menos duas semanas consecutivas com risco médio e baixo de transmissão do coronavírus.
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Ainda segundo o governador, o retorno será liberado onde as escolas tenham voltado às atividades, situação indefinida na maioria das cidades gaúchas. Porto Alegre é uma das poucas que definiu a volta das aulas presenciais, mas ainda há impasse com o governo estadual sobre a data de retomada, prevista para 5 de outubro.
O Palácio Piratini diz que a flexibilização, que começará por eventos corporativos (feiras e congressos, por exemplo), será possível devido à redução de hospitalizações e de óbitos em todas as regiões. De acordo com o modelo de Distanciamento Controlado (que define a cor da bandeira), os novos registros de Covid-19 caíram 25% nas duas últimas semanas, baixando de 1.016 para 793. Já o número de óbitos caiu 19% entre as duas últimas quintas-feiras, baixando de 338 para 273.
O governo vai exigir, no entanto, que o município que deseje liberar a realização de um evento cultural já tenha organizado os protocolos sanitários essenciais ao retorno às aulas. Todos os detalhes serão divulgados a partir da próxima semana.
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“Temos uma prioridade na questão das liberações. Faremos a liberação para eventos somente em municípios nos quais as aulas presenciais já estiverem retornando. Não faz sentido haver liberação de eventos sem ter havido o retorno das aulas. É importante priorizar o ensino, a aprendizagem de nossas crianças e jovens, em relação a outros tipos de atividades”, disse o governador.
No começo desta semana, quatro eventos de grande porte já receberam aval do Gabinete de Crise. São eles: Festival Internacional de Turismo (Festuris), Feira de Calçados e Acessórios Zero Grau e Natal Luz, em Gramado; e a Feira de Inovação Industrial (Mercopar), em Caxias do Sul. Com exceção do Natal Luz, os outros eventos serão realizados em novembro.
A autorização para a realização dos eventos foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) de segunda-feira (28). As regras estão no Decreto 55.513, de 28 de setembro.
Setor reúne pelo menos 250 empresas na cidade

Suspensos desde 17 de março, os eventos movimentam a economia de Santa Maria. Não há uma estimativa de quantos profissionais e empresas integrem essa cadeia, mas empresários do segmento acreditam que existam pelo menos 250 estabelecimentos. No próximo sábado à tarde, eles organizarão uma carreata na cidade para pressionar o governo.
A manifestação será um reforço a pedido feito pessoalmente ao governador Eduardo Leite, em 9 de setembro, quando ele esteve em um evento para discutir a proposta de reforma tributária do governo do Estado no Itaimbé Palace Hotel. Na ocasião, empresários do setor encaminharam um documento reivindicando a flexibilização das atividades. Leite respondeu que a situação dos eventos estava em avaliação pelo governo, mas não prometeu uma data certa para a retomada do setor.
“Nosso setor foi o primeiro a parar. A gente entende a situação (da pandemia), prezamos a vida e a saúde e não queremos que a sociedade nos julgue dizendo que estamos pensando somente em ganhar dinheiro. Queremos a retomada com todos os protocolos de segurança”, diz a empresária Lika Calil, há 18 anos trabalhando com decoração.
Ela conseguiu manter os 15 funcionários que trabalham com carteira assinada, mas ressalta que há muitas empresas do setor fechando as portas, como casas de festas e de serviços de sonorização. Os eventos movimentam uma cadeia de profissionais, que incluem decoradores, iluminadores, sonorizadores, fotógrafos, seguranças, garçons e serviço de buffet, entre outros.
Empresários do setor criaram um grupo para pressionar os governos e aguardam resposta para a realização de um evento piloto com 100 pessoas no Hotel Itaimbé. O protocolo entregue aos órgãos sanitários prevê distanciamento de mesas, troca de máscaras, álcool gel, buffet com pessoas servindo e doces em caixinhas, entre outras medidas de segurança.
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“Movimentamos o comércio, a economia, e tem gente encerrando atividades. Tem casa de festa fechada há mais de seis meses pagando aluguel. Vamos viver 2021 para pagar despesas de 2020”, diz a empresária.
Na mesma situação está o relações públicas e cerimonialista Josias Ribeiro, no mercado há mais de 15 anos e dono de uma empresa de eventos sociais aberta em 2012. A expectativa é que o governo libere atividades para além daquelas classificadas como corporativas, como feiras.
“O impacto é muito grande porque tem o pessoal da retaguarda. Nosso setor reúne profissionais de diversas áreas, como recreação, decoração e sonorização. A gente é o guarda-chuva”, diz Josias, que atua com festas de casamento, aniversários de 15 anos e formaturas.
Josias emprega de cinco a seis recepcionistas por evento, profissionais pagos diretamente por ele. Outra preocupação do empresário é em relação aos sonorizadores. Donos de equipamentos de som que prestam esse serviço estão mudando de ramo.

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