Apesar do uso obrigatório das máscaras, o certo é que muitas delas caíram durante a pandemia, pois a convivência forçada devido ao “home Office” mostrou que as relações estavam muito contaminadas e, ao contrário dos prognósticos científicos para a doença, não parece haver vacina no horizonte para este tipo de acasalamento.
As pessoas que passavam o dia inteiro fora e que tinham a residência como uma espécie de pousada, de dormitório, de repente se viram obrigadas a passar o dia juntos, sujando e limpando, na rotina interminável do espaço doméstico.
Esta atividade, infelizmente, não produz valor agregado e, portanto, não gera mais-valia. Inclusive, mais valia a pena ter alguém para fazer o serviço, mas os cortes foram inevitáveis.
Os espaços tiveram que ser adequados e, como em um passe de mágica, a casa começou a ficar pequena. O pior veio para aqueles que têm filhos e que estavam acostumados a educá-los no sistema Ead, levando de manhã e pegando a encomenda no final da tarde.
Agora, os baixinhos, além de ficar em casa o dia todo, ainda querem que os pais se tornem professores e pedagogos, que ofereçam suporte e conhecimento para acompanhar seu desenvolvimento cognitivo.
DIOMAR KONRAD – Crônica: O endividado
O vírus ainda não tem plena consciência de tudo que está causando, não importando se a cepa é mais ou menos contagiante. O estrago já foi feito naqueles que apenas conviviam, mas que realmente não se relacionavam. O dia, que em tempos normais, tinha apenas 24 horas, agora passa devagar e parece que não termina nunca.
Talvez tenhamos que repensar a forma das relações, agora que elas estão mais constantes. Relembro aqui uma proposta minha antiga, a do casamento nos moldes trabalhistas, que seria de 44 horas semanais e dispensa nos finais de semana.
Se houver filhos, parte-se para o revezamento. Se houver feriados, negocia-se. Assim, o casamento que antes ocorria de noite e nos finais de semana passaria a ser regido pela CLT e comprovado através de cartão-ponto.
Na época em que propus isto, fui sumariamente despedido da relação. Foi preciso haver uma pandemia para ver que, de repente, estou certo, pois o casamento (ou seu similar, a união estável) não comporta 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, sem férias.
É preciso haver um descanso da relação, sob pena de causar estresse e cansaço extremo.
Estão me chamando. Preciso ir. Ainda estou negociando.

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