A jornalista e poeta Melina Guterres, Mel Inquieta, usa as técnicas da construção poética para falar de temas cotidianos, daqueles que estão presentes no dia a dia das pessoas.
Como diz o poema “TODO DIA”, “tem um poema quebrando silêncios”, Mel passeia pelas palavras e constrói uma bela alegoria sobre a vida, que se encaixa perfeitamente nos tempos atuais.
Em TRINCHEIRAS INVISÍVEIS, a poeta deixa fluir sua sensibilidade criadora para falar que “na trincheira da mata selvagem, uma Amazonas enchia meu cálice com a pureza do rio das dores, das lágrimas de múltiplas mulheres”.
A produção poética de Mel Inquieta pode ser conferida no Instagram, onde ela tem o perfil “Poesia com Mel”, e também nas redes sociais da Rede Sina, plataforma de conteúdo que ela criou e administra.
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TODO DIA
Tem um poema na esquina
Na bolsa que gira
Tem um poema na louça suja
No jantar mais frio que carne crua
Tem um poema na mãe,
Na menina, na idosa
Tem um poema atravessando
O tempo
Tem um poema quebrando silêncios
Tem colheres sendo usadas
Tem uma nova sopa
A poesia de Mel Inquieta no Paralelo 29
Um sal ação
Uma mulher fazendo o próprio pão
Tem uma legião
Um país em mãos
Um Cristo morto na esquina
Todo dia um número ressuscita
Do pó à capa de notícias
Todo dia uma mulher é vítima
Um novo tempero soluça, implora, grita:
Empatia!
Está servido o jantar?
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TRINCHEIRAS INVISÍVEIS
Era meio sol
Meia foice
Meio imundo
Obscuro
Tinha um demônio nas antenas
Nos raios da comunicação
Tinha um facão
Na trincheira
LUDWIG LARRÉ – Crônica: Teteza
Da mata selvagem
Uma Amazonas
Enchia meu cálice
Com a pureza do rio das dores,
das lágrimas de múltiplas mulheres
No peito, o colo,
Meu rosto era pintado
Com o traço da guerra
Que há pouco não via,
Como poderia?
Se a margem do rio
Não permitia?
– Nem todo horizonte
DIOMAR KONRAD – Crônica: O petróleo não é nosso
É fronteira
Nem toda mulher
Restrita
Repetia
A sábia índia
Num canto
No balanço
Do um corpo
Que protegia
Outro corpo
Num leve sono
De recomposição
Até a próxima
Trincheira

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