A empresa Serv Sul, gestora do Restaurante Popular Dom Ivo Lorscheiter, em Santa Maria, divulgou nota sobre o possível fechamento do local, a partir da próxima segunda-feira (23). A prefeitura, no entanto, afirma que, já a partir de segunda (22), uma nova empresa assumirá os serviços.
Conforme o Paralelo 29 divulgou com exclusividade na quarta-feira (10) da semana passada, a intenção é manter o Restaurante Popular aberto, com outra empresa, sem reajustar os valores das refeições.
A troca de empresa, segundo a prefeitura, será por meio de um contrato emergencial para que o estabelecimento não feche as portas.
Depois, a prefeitura de Santa Maria pretende abrir licitação para contratar uma gestora por mais tempo.
Em nota, a prefeitura de Santa Maria, por meio da Secretaria de Desenvolvimento, confirma o que informou ao Paralelo 29. (leia, abaixo, a nota da empresa e do Executivo)
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Serv Sul alega gasto extra com reforma de prédio
No comunicado da Serv Sul, de São Borja alega que venceu a licitação em maio de 2019 e que, de acordo com o edital, entre suas obrigações estava “fazer pequenos ajustes e começar a trabalhar já de imediato”.

No entanto, conforme a Serv Sul, isso só acabou ocorrendo sete meses depois, em dezembro de 2019, pois não havia como iniciar imediatamente o atendimento ao público porque o prédio teve que ser reformado.
“Nesses sete meses tivemos de reformar o prédio, pois não tinha condições alguma de ser um restaurante. Começamos a trabalhar em 23 de dezembro, com dificuldade financeira devido ao gasto extra que tivemos”, alega a Serv Sul em seu comunicado.
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Em janeiro, gestora pediu reajuste
Assim, em janeiro deste ano, a empresa encaminhou à prefeitura de Santa Maria um reajuste de preços, sem o que, a operação se tornará inviável.
“No início deste ano, em janeiro, pedimos reequilíbrio financeiro do contrato, pois quando vencemos a licitação em maio de 2019, o litro de óleo era R$ 2, hoje é R$ 7; o pacote de 5kg arroz era R$ 9, hoje é R$ 25; a carne era R$ 11,00 o kg, hoje é R$ 22”, diz a nota que a empresa divulgou.
A prestadora de serviço alega, ainda, que está há 22 meses trabalhando com o preço defasado de R$ 3,50 pago pela prefeitura de Santa Maria por refeição, sendo que o Popular serve, em média, 575 pratos diários.
Por fim, a Serv Sul alega que até o momento não recebeu nenhuma resposta da prefeitura de Santa Maria.
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Prefeitura prepara nova licitação
Como o Paralelo 29 adiantou com exclusividade, o Executivo municipal pretende colocar outra empresa com um contrato emergencial e já pesquisa valores de mercado para abrir nova licitação definitiva.
O Restaurante Popular fechou as portas para reforma em março de 2016 e só foi reabrir em 23 de dezembro de 2019.
Atualmente, há uma média de mais de 500 refeições vendidas na forma de pegue e leve por causa da pandemia.
NOTA DA EMPRESA SERV SUL, ATUAL GESTORA
“”Nós somos a empresa que venceu a licitação em maio de 2019. Pelo edital tínhamos que fazer pequenos ajustes e começar a trabalhar já de imediato, mas só fomos começar a trabalhar em dezembro daquele ano (7 meses após).
Nesses sete meses tivemos de reformar o prédio, pois não tinha condições alguma de ser um restaurante.
Começamos trabalhar em 23 de dezembro, com dificuldade financeira devido ao gasto extra que tivemos.
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“Nunca saiu um cidade com fome”
Sempre servimos a comunidade, independente de nossa situação de dificuldade. A nossa comida é avaliada como excelente qualidade, conforme pesquisa feita. Nunca saiu um cidadão do restaurante com fome.

Nossa empresa tem um trabalho social junto do empresaria. Na execução do contrato no Restaurante Popular, além dos funcionários normais, acolhemos dezenas de apenados do sistema prisional que buscam uma segunda chance.
“Doamos mais de 2,5 mil refeições a moradores de rua”
Também, durante nosso contrato, doamos mais de 2.500 refeições a moradores de rua e servimos quase 10 mil refeições à cidadãos que chegavam no restaurante e já havia esgotado as 575 refeições pagas pela prefeitura. Por decisão de nossa empresa, ninguém que procurava a restaurante saia sem uma refeição.
No inicio deste ano, em janeiro, pedimos reequilíbrio financeiro do contrato, pois quando vencemos a licitação em maio de 2019, o litro de óleo era R$ 2,00 reais, hoje é R$ 7,00, o pacote de 5kg arroz era R$ 9,00 hoje é R$ 25,00, a carne era R$ 11,00 o kg, hoje é R$ 22,00.
“Pedimos reequilíbrio, está há 22 meses com preço defasado”
Pedimos este reequilíbrio, pois a lei diz que tem que ser assim. É direito. O poder público tem obrigação de manter o equilíbrio financeiro dos contratos.
Nós já estamos há 22 meses recebendo o preço defasado de 3,50 pagos pela prefeitura, por cada refeição que servíamos no limite de 575 diárias.
Pedimos o reequilíbrio, pois não temos mais como nos manter a qualidade das refeições servidas, pagar insumos, funcionários tributos e fornecedores. Até esta data não recebemos resposta alguma da prefeitura.
“Não temos mais como servir refeições”
No próximo dia 23 de março vence o aditivo e tivemos que infelizmente dizer a prefeitura que se não houver o reequilíbrio (ajustar os preços que estão defasados há 22 meses) não temos mais como servir refeições no restaurante ao honrado e digno povo de Santa Maria.
Diferente de versões, nós teremos todos os documentos necessários para a renovação, se fosse o caso, no dia 22 de março próximo.
Desta forma, não temos como continuar a atender a população se a prefeitura não fizer um pagamento justo pelo nosso trabalho.
Gostamos do nosso trabalho. Amamos o que fizemos. Somos felizes por atender que mais necessita. Mas não podemos ser irresponsáveis de continuar nesta situação deprimente.
Queremos trabalhar, mas necessitamos que a prefeitura dê o reequilíbrio financeiro do contrato, que é direito nosso e tem amparo legal.
“Já servimos em torno de 170 mil refeições”
No restaurante Popular já servimos em torno de 170 mil refeições. Além destes, nossa empresa já serviu quase 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) refeições em outros contratos fora de Santa Maria.

Prezamos sempre pela qualidade da comida servida e observância das normas vigentes no setor de alimentação coletiva.
Desta forma, sem este reequilíbrio legal, teríamos de reduzir a qualidade das refeições que servimos aos usuários.
“Sempre tivemos responsabilidade”
Desta forma, optamos em comunicar a prefeitura que só poderíamos renovar o contrato que encerra dia 23, caso haja o reequilíbrio legal dos valores que estão defasados há quase dois anos.
Qualquer outra versão sobre os fatos é mera justificativa sem fundamento.
Sempre tivemos responsabilidade com a prefeitura, com o contrato e com a população de Santa Maria.
Agradecemos pelo carinho a atenção e pedimos desculpas por ter de desviar a atenção da população nesta hora tão difícil com um assunto que não deveria ser pauta neste momento.”

NOTA DA PREFEITURA
“A Prefeitura de Santa Maria, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, esclarece que o Restaurante Popular Dom Ivo Lorscheiter não fechará suas portas nem interromperá seus serviços em decorrência do término de contrato com a empresa que presta o atendimento no local.
“Uma nova empresa assumirá o restaurante”
O contrato com a atual prestadora de serviço encerra-se no dia 22 de março de 2021, de modo que uma nova empresa assumirá o restaurante a partir do dia 23 de março, por meio de contrato emergencial, até que um novo processo licitatório seja lançado, o que deve ocorrer assim que possível, visto que a Prefeitura já trabalha em seu Termo de Referência.
A Prefeitura reitera que a abertura do Restaurante Popular, que ficou fechado durante mais de três anos, foi uma decisão do governo do prefeito Jorge Pozzobom, por entender que esse equipamento é de extrema relevância para o desenvolvimento social das pessoas que o utilizam, situação reforçada em meio à pandemia de coronavírus, que vem gerando uma crise sem precedentes não só em nosso país, mas mundo afora”.

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