Pressionado pela oposição e até por aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) após denúncias de corrupção no Ministério da Educação, o ministro Milton Ribeiro pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira (28). O próprio Ribeiro pediu para sair e o governo publicou imediatamente a sua exoneração no Diário Oficial da União (DOU).
Na última sexta-feira (25), a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar o ministro. A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura da investigação após requerimento encaminhado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.
A investigação foi aberta após a publicação de matérias na imprensa sobre suposto favorecimento na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação.
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Reportagem mostrou áudio do ministro
Na segunda-feira (21), uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo divulgou um áudio em que Milton Ribeiro, diz favorecer, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, prefeituras de municípios ligados a dois pastores.
Em outro inquérito, a PF também investiga as supostas irregularidades. A polícia recebeu na semana passada um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo o órgão, os fatos são investigados desde o ano passado, antes da divulgação da gravação.
PGR pede abertura de inquérito para investigar ministro da Educação
Denúncias investigadas
As denúncias foram recebidas pela CGU no dia 27 de agosto de 2021 e tratam de possíveis irregularidades que estariam ocorrendo em eventos realizados pelo Ministério da Educação (MEC) e sobre o oferecimento de vantagem indevida, por parte de terceiros, para a liberação de verbas do fundo. A apuração ocorreu entre os dias 29 de setembro de 2021 e 3 de março de 2022.
O órgão concluiu que agentes públicos não estavam envolvidos nas supostas irregularidades e enviou o caso para a PF, que abriu um inquérito criminal.
O caso também é na esfera cível pela Procuradoria da República no Distrito Federal. O Tribunal de Contas de União (TCU) também vai realizar uma fiscalização extraordinária no Ministério da Educação.

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Ribeiro negou favorecimento
Após a divulgação do caso, em nota divulgada à imprensa, o então ministro Milton Ribeiro disse não haver nenhum tipo de favorecimento na distribuição de verbas da pasta. Segundo Ribeiro, a alocação de recursos federais segue a legislação orçamentária.
“Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, disse.
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Em carta, ex-ministro nega corrupção
Em nota publicada nas redes sociais, o agora ex-Milton Ribeiro, afirmou que não praticou atos ilícitos: “Tenho plena convicção de que jamais pratiquei qualquer ato de gestão que não fosse pautado pela legalidade, pela probidade e pelo compromisso com o erário. As suspeitas de que foram cometidos atos irregulares devem ser investigadas com profundidade”, destacou.
“Decidi solicitar o presidente Bolsonaro a exoneração do cargo de ministro a fim de que não paire nenhuma incerteza sobre minha conduta e do governo federal. Meu afastamento visa, mais do que tudo, deixar claro que quero uma investigação completa isenta”, diz a nota.
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Na mira da PF e do Senado
Além das investigações na PF, Ribeiro também está na mira do Congresso Nacional. A Comissão de Educação do Senado, por exemplo, quer ouvir Ribeiro na próxima quinta-feira (31).
Inicialmente, o requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede- AP), aprovado na quinta-feira (24) no colegiado, falava em convocação do ministro, mas, diante do apelo senador governista Wellington Fagundes (PL-MT), a solicitação foi transformada em convite.
A mudança na natureza do requerimento foi pedida depois que o presidente do partido, senador Marcelo Castro (MDB-PI), disse que a comissão recebeu, na madrugada um ofício de Ribeiro na qual ele se coloca à disposição para esclarecimentos sobre gravações.
Castro disse ainda que antes mesmo do ofício, por telefone, o então ministro já tinha conversado com ele sobre a disposição de ir ao Senado prestar explicações.
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Outros agentes e pastores são convidados a depor
Além de Ribeiro, o colegiado também aprovou convites ao presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) Marcelo Lopes da Ponte e aos pastores Gilmar Silva dos Santos – presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil – e Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil.
A lista de convidados tem ainda os prefeitos de Rosário (MA), Calvet Filho; Anajatuba (MA), Helder Aragão; Centro Novo (MA), Junior Garimpeiro; Bom Lugar (MA), Marlene Miranda e de Luis Domingues (MA), Gilberto Braga. Esses ainda não tem data certa para ir à comissão.
A dúvida, agora, é se Ribeiro irá comparecer, já que ele foi convidado e não convocado a depor. Como já não é mais ministro, em tese, ele poderá se recusar a dar explicações no Senado Federal.
(Com informações da Agência Brasil)

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