O governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou nesta segunda-feira (28), em coletiva de imprensa no Palácio Piratini, que vai deixar o cargo após três anos e três meses à frente do governo gaúcho. Com a renúncia, que será oficializada nos próximos dias, o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) assumirá o Palácio Piratini.
Leite disse que a decisão foi muito ponderada e que deixa o mandato para poder dar a sua contribuição no cenário nacional das eleições de outubro. Ele não disse a qual cargo irá concorrer, mas é de conhecimento público que o governador gaúcho pretende concorrer a presidente da República.
Em novembro do ano passado, o PSDB realizou prévias para escolher seu candidato a presidente da República. Leite disputou a vaga de pré-candidato em uma disputa vencida pelo governador de São Paulo, João Doria.
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Governador poderá concorrer a presidente
Nos últimos meses, Leite esteve muito próximo do PSD. O ex-ministro e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, convidou Leite a se filiar no partido. Havia expectativa de que o governador gaúcho anunciasse uma possível transferência para a sigla de Kassab. No entanto, ele disse que permanecerá no PSDB.
Diante de sua permanência no PSDB, há especulações de uma possível reviravolta no ninho tucano. Ou seja, há quem aposte na substituição de Doria por Leite. Isso, no entanto, não passa de especulação, por enquanto.
“Eu atendo o que a legislação eleitoral me exige, de renunciar ao mandato de governador para que eu possa estar na política atuando nesta eleição que é decisiva, a mais importante da história recente do nosso país, buscando dar toda a colaboração que eu puder para ajudar o país a encontrar uma alternativa”, disse.

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O governador relembrou a trajetória no governo do Rio Grande do Sul e disse que confia na continuidade dos projetos sob a liderança de Ranolfo, hoje vice e secretário da Segurança Pública.
“Colocamos os salários do funcionalismo e os repasses da saúde em dia, pagamos as dívidas atrasadas, estamos fazendo investimentos históricos e ainda reduzimos impostos. Ranolfo estava ao meu lado participando de todos esses momentos. O Rio Grande do Sul virou o jogo e o jogo agora continua com um novo comandante”, disse Leite.

A transferência de cargo e a posse de Ranolfo como governador do Estado devem ocorrer em solenidade nos próximos dias. Leite reafirmou a absoluta confiança na condução do Ranolfo.
“Seu histórico, currículo, trajetória e a convivência leal e fraterna que tivemos me dão total convicção de que ele não resumiu sua participação no governo à Secretaria da Segurança, onde, aliás, teve resultados excelentes. Ele conhece todos os projetos e políticas públicas e acompanha cada dado e cada número do governo”, afirmou o governador.
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Riesgo: “Feitos duvidosos”
Opositores não pouparam a renúncia do governador. Um dos que se manifestou nas redes sociais foi o deputado estaual santa-mariense Giuseppe Riesgo (Novo).
“Leite renuncia ao Governo do RS e deixa feitos duvidosos, como o aumento prolongado de ICMS, o sistema de colorir bandeiras, empresas sem um Refis, tentou torrar ações do Banrisul por preço de banana, tentou meter a mão no fundo de pensão e deixa um IPE Saúde em crise”, postou Riesgo em suas redes sociais.
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Luciana Genro: “Usou o Estado como laboratório”
Quem também criticou Leite foi a deputada estadual Luciana Genro (Psol). Ela acusou o governador de ter usado o governo gaúcho para pavimentar seu caminho rumo a uma possível disputa presidencial.
“Com a renúncia ao governo, Eduardo Leite confirma que usou o Rio Grande do Sul como laboratório para suas políticas neoliberais e vitrine para sua ambição nacional. Com Leite ou Doria, o projeto antipopular do PSDB é o mesmo e será por nós denunciado e combatido!”, postou Luciana em suas redes sociais.
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Em nota, a bancada do PT na Assembleia Legislativa fez uma das críticas mais contundentes. Acusou Leite de fazer um governo voltado aos interesses privatistas e de vender o patrimônio público e prejudicar o funcionalismo público.
“Focado nas viagens e roteiros partidários de disputa das prévias tucanas, Eduardo Leite abriu mão, em 2021, do controle da gestão do enfrentamento à pandemia, deixando essa responsabilidade nas costas exclusivamente dos prefeitos. Mesmo com autorização da ALRS para concessão de auxilio emergencial para um conjunto de famílias e setores atingidos pela pandemia, até agora o governo apresentou resultados ínfimos, pois não priorizou o pagamento destes valores”, diz a nota da bancada petista.
(Com informações do governo do RS)

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