A comunidade acadêmica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está organizando um protesto para a próxima segunda-feira (24), às 11h30min, em frente ao prédio do Restaurante Universitário central, no campus de Camobi. A manifestação será contra as declarações do deputado federal Bibo Nunes (PL), que disse, em vídeo, que os estudantes da UFSM mereceriam morrer queimados vivos.
O vídeo viralizou e recebeu uma saraivada de críticas ao deputado federal, que não conseguiu se reeleger. O protesto tem o nome de “Ato em defesa da UFSM! Não ao ódio e à violência contra os (as) estudantes” e está sendo convocado por entidades representativas dos segmentos universitários, como a Sedufsm, a Assufsm, DCE, APG, Atens e Sinasefe.
As declarações do parlamentar
Na live, Bibo Nunes chama os universitários de “inúteis” e “filhos de papai”, sugerindo que eles deveriam ser “queimados vivos”. O parlamentar cita o filme Tropa de Elite em que estudantes são carbonizados em pneus por traficantes, no Rio de Janeiro, em uma prática conhecida como micro-ondas.
Revolta nas redes sociais e pedido de desculpas
Nas redes sociais, há diversas manifestações contra o deputado, que gravou um novo vídeo em que pede desculpas. Bibo diz que exagerou e acusa a esquerda de distorcer sua fala.
No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Sul decidiu instaurar um procedimento para investigar as declarações do deputado.
Deputada vai pedir cassação
A deputada federal gaúcha Fernanda Melchionna (PSOL) também pretende encamihar uma denúncia à Comissão de Ética da Câmra dos Deputados.
Este não é o primeiro ato de estudantes universitários contra ataques bolsonaristas. Na terça-feira (18), em um ato de movimentos sociais contra bloqueios de verbas para as universidades e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), estudantes também se manifestaram contra o fascismo, em uma referência às manifestações de Bibo Nunes.
Entidades lançam notas de repúdio a Bibo Nunes
Nesta sexta (21), a diretoria da Sedufsm publicou nota denunciando a fala do parlamentar, considerada “preconceituosa, mentirosa e atroz”.
“O deputado confunde imunidade parlamentar com impunidade, e liberdade de expressão com crime. A sociedade gaúcha já disse nas urnas que repudia parlamentares como ele, ao não o reeleger. Agora, é preciso mais: que o mesmo seja punido criminalmente pelo que vem fazendo”, diz a entidade que representa os professores da UFSM (veja a íntegra aqui).
Também em nota, a atual gestão da UFSM se manifestou em repúdio à fala de Bibo. A nota destaca valores como liberdade, democracia, ética, justiça,respeito à identidade e à diversidade, entre outros, que são adotados pela UFSM.
A atual diz que “repudia todo e qualquer discurso de ódio, de falta de civilidade, que não tolere as diferentes opiniões ideológicas e políticas e que incentive agressões à comunidade acadêmica ou a quem quer que seja”.

Por fim, a Reitoria da instituição afirma que todo ataque contra um estudante ou servidor receberá uma resposta firme da gestão.
“Nossos estudantes são nosso maior patrimônio e é através deles e do conhecimento gerado nas universidades que transformamos a sociedade. Toda vez que um estudante ou um servidor público da área da educação for atacado e/ou desqualificado, nos ergueremos em defesa da nossa comunidade e da nossa instituição, que é de Estado e não de um governo”. (Confira aqui a nota na íntegra).
Também foi criado um abaixo-assinado organizado pelo DCE da UFSM. O documento será encaminhado ao MPF para que tome providências. O abaixo-assinado também deverá respaldar um pedido de cassação do mandado de Bibo.
(Com informações da Sedufsm)

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