DIOMAR KONRAD – PUBLICITÁRIO E CRONISTA
Enquanto a equipe de transição recebe as informações e planeja o futuro governo, também tomo as minhas iniciativas no sentido de fazer a passagem do depósito de utilidades para o quarto do meu futuro hóspede, conforme foi anunciado se o governo de oposição ganhasse.
A primeiras delas é que não ficou claro entre aqueles que espalharam a notícia se o quarto em questão deveria ou não ser mobiliado.
Talvez o novo morador prefira trazer a sua própria mobília, o que seria melhor para se sentir pertencente ao lugar. Mas também poderia vir de mãos vazias, dada à precariedade social do país.
E, caso fosse assim, quais móveis deveriam ser providenciados em função da necessidade do ocupante. Seria uma cama de casal, de solteiro ou teria que conter ainda a conhecida cama extra comum em hotéis para os pequeninos? Ar-condicionado, televisão, poltronas, mesas e cadeiras fariam parte do ambiente? Me sinto no dever de perguntar quais seriam para não receber mal os novos moradores.
Também não foi informado se o referido quarto deveria possuir banheiro, como uma suíte, ou pelo menos uma pia, situação que me obrigaria a fazer uma adequação no local.
Sendo uma moradia social, ou melhor, um quarto social, considero as despesas uma questão crucial para a devida ocupação.
Para quem ficariam os encargos do natural aumento de despesas, como a ampliação da banda larga, o aumento das taxas de água e de luz e as despesas decorrentes dos serviços de limpeza?
Talvez seja necessária uma emenda em que se possa passar do teto de gastos, pois do contrário o teto aqui em casa tende a desabar. Duvido muito que o novo morador se estabeleça com a intenção de participar desse montante.
Resta ainda saber como acontecerão as regras de compartilhamento dos espaços sociais, pois duvido que o novo morador e seus pares fiquem restritos ao quarto, participando também das atividades da cozinha, banheiro, sala, áreas de serviço e de transição.
Será que terei que avisá-los e eles também quando um de nós receber visitas de parentes ou amigos para o jantar de sábado? Será que teremos que assistir aos jogos da copa juntos? E as refeições? Serão preparadas em conjunto e apreciadas no coletivo ou cada grupamento terá sua hora e lugar?
Certamente, todos esses questionamentos não foram levantados por quem criou essa notícia, principalmente porque, a depender do perfil de quem está protestando, não seriam eles que viriam aqui reivindicar a moradia social. Então, o problema seria mesmo dos beneficiários.
O desafio de compartilhar o quarto também não seria com aqueles que geralmente são excluídos, mas talvez fosse difícil suportar um torcedor fanático do grêmio ou alguém que adora música sertaneja. Seria um teste para os meus limites.
Pensei em questionar o Geraldo e sua equipe sobre estas dúvidas, mas acredito que o montante de preocupações deles é bem maior do que o meu e que eu deva resolver sozinho meus próprios desafios da transição, ainda mais que não sei se a situação seria transitória, até o sujeito possuir a sua própria renda, ou vitalícia, tornando-se quase um parente. Resta saber se, no caso de haver mais de um pretendente, se eu teria direito de escolha.
Como não quis incomodar a equipe de transição, compartilho com vocês estas dúvidas, que devem ser de muitos. Talvez fosse bom assistir Dr. Jivago novamente, para ver como funcionou na Rússia.

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