ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – ESCRITOR
Já faz um bocado de tempo que não sou torcedor fanático da seleção brasileira. Na copa de 1994 – a do tetra – vibrei com a conquista. Mas havia um motivo especial: Taffarel e Dunga, o capitão. Principalmente por Dunga, era colorado e perseguido pela mídia do centro do país. Eu tenho vocação para ser bairrista.
Sou do tempo em que a seleção brasileira era formada por Falcão do Internacional, Zico do Flamengo, Sócrates do Corinthians… Everaldo do coirmão. O sobrenome dos atletas era de times do Brasil.
O que temos hoje? Uma escalação de “estrangeiros”.
Eles jogam no Barcelona, Real Madri, PSG, Arsenal e por aí vai. O mister Adenor convocou apenas três jogadores atuantes no Brasil – eixo Rio/São Paulo –, e só uma eventualidade para assumirem a posição ou entrarem em campo.
A bem da verdade, eu não sei o nome de todos e tenho dificuldades no reconhecimento facial da turma.
Eu tenho uma visão bem particular, bem singular de como deveria ser convocado o escrete canarinho: a seleção brasileira teria que ser formada com jogadores atuantes no Brasil.
E acredito que conseguiríamos montar um time competitivo só com jogadores “brasileiros”. Acho até que fomentaria o nosso futebol. Teríamos uma concorrência mais acirrada nas ligas A e B. Elevaria a autoestima do torcedor e os clubes seriam ainda maiores.
No entanto, atualmente temos um agravante. Torcer para o Brasil, vestindo a camiseta amarelinha, pode ser uma temeridade, podemos ser confundidos com um posicionamento político. Ainda está latente a eleição. Evidente que irei assistir aos jogos, não vai escapar nenhum – sou aposentado em tempo integral –, mas a possível derrota não afetará meus batimentos cardíacos e muito menos o meu sono.
Enfim, a seleção brasileira não me causa espécie, mas se na próxima tiver um craque do Internacional, talvez eu mude opinião. Ah! Se o Uruguai for campeão, eu comemoro. Sou neto de uruguaios. Mas ainda não sou doble-chapa.

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