Superintendente do Ciosp foi à Câmara de Vereadores para explicar sumiço de monumentos históricos de Santa Maria, mas faltaram respostas
O Superintendente do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública, Sandro Nunes, foi à Câmara de Vereadores de Santa Maria na tarde de terça-feira (15) para dar explicações sobre o sumiço de monumentos da cidade. Falou por mais de meia hora, mas não deu a resposta esperada.
Nunes, que foi convocado a pedido do vereador Tubias Calil (MDB), que, após meia hora de explicações do superintendente, fez uma série de questionamentos, entre eles por que a Guarda Municipal “flagrou e não prendeu” o homem que pegou um dos monumentos.
“O senhor disse que acompanharam (a ocorrência de furto) do início ao fim. Por que, então, não prenderam?, perguntou o emedebista, reverberando o que toda Santa Maria quer saber.
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Explicações, explicações e explicações…
De acordo com o superintendente do Ciosp, quando percebeu o furto, a Guarda Municipal (GM) abordou o infrator, mas ele estaria armado e resistiu, conseguindo escapar da prisão.
Ainda conforme Sandro Nunes, a GM conseguiu identificar o ladrão e passou todas as informações à Polícia Civil, que está investigando o caso. O homem, inclusive, já foi ouvido e teria informado para onde levou o material furtado.
“A Polícia Civil já sabe para onde ele teria levado o busto”, disse o servidor, informando que nada foi encontrado no local indicado, já que o material pode ter sido escondido.
Sandro Nunes ressaltou que estabelecimentos que compram esse tipo de material para revender não teriam como “quebrar” os bustos, muito menos revendê-los inteiros por se tratarem de obras de arte, o que poderia levar à descoberta dos crimes de receptação. Por isso, é provável que os bustos estejam escondidos em algum lugar.
Ele ressaltou que a GM “não flagrou” os furtos, mas percebeu por meio de câmeras de monitoramento que alguém estaria furtando os monumentos. No dia em que o homem foi flagrado, ele tinha levado uma placa. Foi aí que o Ciosp buscou as imagens que revelaram os outros furtos.
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Sistema de segurança falhou como um todo

No total, segundo Nunes, teriam ocorrido três ações na Praça Saldanha Marinho, no Centro da cidade: nos dias 15, 16 e 17 de abril. O último furto durou apenas três segundos.
A única ação flagrada foi a de 17 de abril. Até então não se sabia do sumiço do busto do poeta Felippe D´Oliveira. Foi aí que as imagens de câmeras do Ciosp foram examinadas e revelaram os demais furtos, todos ocorridos durante a noite.
Na opinião do superintendente do Ciosp, “todo o sistema de segurança falhou”. Nunes explicou aos vereadores que “não há como acompanhar as ocorrências em tempo real”. São apenas dois servidores da GM monitorando as imagens e mesmo que houvesse 10 servidores, isso não seria possível.
Outros vereadores também questionaram o superintendente, entre eles Valdir Oliveira (PT), Danclar Rossato (PSB) e Roberta Leitão (PP).
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Cidade tem 1,2 mil câmeras ao custo de R$ 600 mil por mês

Nunes, que já havia feito uma ampla explanação sobre o funcionamento do Ciosp, explicou que Santa Maria é coberta por 1.213 câmeras, sendo 1.117 da Prefeitura e outras 120 de empresas e moradores, as chamadas câmeras colaborativas interligadas ao sistema de cercamento eletrônico.
Por esse serviço, que inclui, ainda, monitoria e sistema de alarmes, entre outros, a Prefeitura de Santa Maria paga cerca de R$ 600 mil mensais à Vigilare, empresa de segurança que atende ao Ciosp. Isso, segundo ele, daria um custo de menos de R$ 2 por morador.
Essas imagens são compartilhadas com os demais órgãos de segurança pública, como Brigada Militar e Polícia Civil, e têm ajudado a desvendar crimes na cidade.
Em sua explanação, o superintendente do Ciosp ressaltou que as câmeras não evitam crimes, mas ajudam a inibir ações ilícitas e, é claro, contribuem com investigações.
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Ao menos, nove bustos e 10 placas teriam sumido

Mas, afinal, quantos bustos e placas foram furtados em Santa Maria? Pelo que foi inventariado até o momento, teriam sido nove bustos e 10 placas. Esse dado é extraoficial, já que todo dia ocorre um furto envolvendo monumentos da cidade. E isso não é recente, como o Paralelo 29 vem mostrando há tempos.
Depois do sumiço dos bustos do poeta Felippe D´Oliveira, do reitor fundador da Universidade Federal de Santa Maria José Mariano da Rocha Filho e do teatrólogo e ator Leopoldo Fróes, outros monumentos foram avariados na Praça Saldanha Marinho e na Avenida Rio Branco.
Se as explicações do superintendente não foram lá tão esclarecedoras como se esperava, pelo menos serviram para que a comunidade soubesse como funcionam o Ciosp e o cercamento eletrônico e quanto se paga pelo serviço.
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De quem são as responsabilidades?
A grande questão é que não se pode jogar a culpa do furto de monumentos apenas nas costas da Guarda Municipal ou do Ciosp. As responsabilidades vão muito além disso, pois esses furtos e o vandalismo já vêm ocorrendo há tempos.
Além de o poder público e os órgãos de segurança nunca terem feito nada quando outros casos ocorreram, é visível que a preservação do patrimônio público não está entre as prioridades.
Ademais, a comunidade também tem a sua “parcela de culpa”. Afinal, uma cidade em que os moradores não cuidam o que é seu não merece o título de Cidade Cultura.
Quanto às pessoas que furtam esses objetos, elas estão mais preocupadas com o seu estômago e ignoram questões como obra de arte, valor simbólico, se o busto de Felippe D´Oliveira tem a assinatura de Victor Brecheret, etc…, o que não significa concordar com essas ações e não puni-las.
Já quem compra esse tipo de material para revender é muito mais criminoso, pois é fácil distinguir o que é ou não fruto de ato ilício. E sobre isso faltam respostas dos órgãos de segurança.

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