Réus são três brigadianos que respondem por assassinato na Justiça Comum
A Justiça Militar, em Porto Alegre, marcou para esta quarta-feira (19), os interrogatórios dos três brigadianos envolvidos na morte do jovem Gabriel Marques Cavalheiro, de 19 anos, ocorrida em agosto do ano passado, em São Gabriel. Se tudo ocorrer dentro do previsto, eles serão julgados na quinta (20).
O sargento Arleu Junior Jacobsen e os soldados Raul Veras Pedroso e Cleber de Lima, da Brigada Militar de São Gabriel, respondem na Justiça Militar pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Já na Justiça Comum, eles são réus por assassinato, e respondem por homicídio triplamente qualificado. Os interrogatórios e a sessão de julgamento ocorrerão na sede do Tribunal de Justiça Militar.
Em nova divulgada pela advogada Rejane Lopes, que representa a família de Gabriel, ela explica que o crime de homicídio, que é de competência do Tribunal do Júri “não se confunde, mas se vincula, ao Processo Penal Militar.
Caso sejam condenados, nesse primeiro julgamento, na Justiça Militar, como espera a família de Gabriel, os três brigadianos poderão ser expulsos da Brigada Militar.
“Nos dias 19 e 20 de julho, será finalizada a fase de instrução do processo e realizada a sessão de julgamento do caso Gabriel, no âmbito da Justiça Militar. O crime de homicídio (de competência do Tribunal do Júri) não se confunde, mas se vincula a este Processo Penal Militar. Por isso, a expectativa é de que se consolidem as teses coerentemente descritas pela acusação e, assim, seja feita a justiça”, diz a nota da advogada Rejane Igisk Lopes, contratada pela família de Gabriel como assistente de acusação.
De acordo com Rejane, a família do jovem decidiu não se manifestar sobre o caso antes do julgamento na Justiça Militar.
Abordagem e desaparecimento
Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, estava parando na casa de um tio no Bairro Independência, para prestar serviço militar no Exército.
Próximo da meia-noite de 12 de agosto, o jovem chegou na casa de uma vizinha na Rua Sete de Setembro e tentou forçar o portão, segundo a moradora. Assustada, a vizinha chamou a Brigada Militar.
Os PMs chegaram no endereço e abordaram Gabriel. Eles algemaram o jovem e o imobilizaram. Nessa abordagem, Gabriel teria sido agredido antes de ser colocado dentro de uma viatura da Brigada Militar. Testemunhas disseram que a vítima teria sido atingida por “pelo menos dois ou três golpes de cassetete”.
Nessa abordagem, foi a última vez que Gabriel foi visto com vida. Diante do sumiço do rapaz, a família registrou ocorrência policial. Durante quase uma semana, foram realizadas buscas pelo jovem.
Corpo localizado em açude
Na tarde de 19 de agosto, o corpo de Gabriel foi localizado submerso nas águas de um açude, na localidade de Lavapé, a dois quilometros do local onde ele foi abordado.
No mesmo dia em que o corpo foi localizado, os três policiais militares que participaram da abordagem foram presos. Os PMs negam ter assassinado Gabriel. Os laudos periciais, no entanto, atestam que o jovem morreu em decorrência de hemorragia interna causada por ação de “instrumento contundente”.
Os três PMs estão presos no Presídio Militar, em Porto Alegre, onde aguardam julgamento. Ainda não há data para o julgamento do caso na Justiça Comum, o que ainda poderá demorar.

No Comment! Be the first one.